Vírus respiratórios tendem a aumentar no Espírito Santo, aponta Fiocruz

O novo Boletim InfoGripe da Fiocruz, divulgado nesta quinta-feira (27/3), alerta para o início da tendência de aumento da circulação dos vírus respiratórios nas próximas semanas. O InfoGripe já vem sinalizando em suas últimas edições para o crescimento de casos graves do Vírus Sincicial Respiratório (VSR), principalmente na região Centro-Oeste, com a incidência atingindo níveis altos ou muito altos.
No atual cenário, a análise também observa esse crescimento em níveis de incidência moderada na região Sudeste, especialmente nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo.
A pesquisadora Tatiana Portela esclarece que se trata de um crescimento sazonal. Segundo ela, além do VSR, é muito provável que, em breve, haja um aumento do vírus da influenza. Após ressaltar que a campanha de vacinação começa no dia 7 de abril, a especialista destaca a importância de que todas as pessoas elegíveis busquem um posto de saúde para se vacinar, e com isso, preparar o sistema imunológico para enfrentar essa temporada de aumento do vírus da influenza que está por vir.
“A Covid-19, por outro lado, não tem um comportamento sazonal, o que torna mais difícil prever quando os casos vão aumentar. No momento, por exemplo, não há indicativo de que os casos graves da Covid-19 estejam subindo no país. Apenas o estado de Roraima apresenta sinal de aumento de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) nos idosos associado ao vírus. Porém, como os períodos de alta da Covid-19 são mais imprevisíveis e dependem de fatores como o surgimento de uma nova variante mais infecciosa e a perda de imunidade da população, é fundamental que a população mantenha a vacinação em dia, independente da época do ano. Isso vale especialmente para idosos e imunocomprometidos, que devem tomar as doses de reforço a cada seis meses”, frisa.
O Espírito Santo acabou de receber 116 mil doses do imunizante contra a doença, no dia 24, e já está fazendo a distribuição das vacinas. A Campanha Nacional de Vacinação começa no próximo dia 7 de abril em todo o país.
De acordo com a pneumologista Jessica Polese, a vacinação é a única forma de proteger contra as complicações causadas pela doença. “A influenza é uma infecção viral dos pulmões e das vias aéreas por um dos vírus da gripe. Ela provoca febre, coriza, dor de garganta, tosse, dor de cabeça, dores musculares (mialgias) e uma sensação de indisposição (mal-estar) geral”, explica. A vacinação é uma forma de evitar estes sintomas e que a doença avance para uma pneumonia e se agrave ainda mais”, diz. “Ela também alerta para Covid que ainda circula e que representa um risco em idosos e pessoas com comorbidade”, ressalta
A médica destaca que este período do outono com clima mais seco e temperaturas mais amenas, é crítico porque a circulação de vírus e bactérias aumenta, e as vacinas são os principais meios de proteção contra adoecimentos. Além da vacina, é fundamental: hidratação adequada para ajudar a manter as vias respiratórias úmidas e uma alimentação equilibrada para manter a imunidade em dia.
Quadro nacional
No agregado nacional, observa-se sinal de aumento na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) e de curto prazo (últimas três semanas). Esse cenário é atribuído principalmente ao crescimento de SRAG nas crianças pequenas de até dois anos em muitos estados do país.
O início ou a manutenção do crescimento de SRAG entre crianças de até dois anos, associado ao VSR, com níveis de incidência de moderado a muito alto em alguns estados do Centro-Oeste (Distrito Federal e Goiás), Sudeste (Espírito Santo, Minas Gerais e São Paulo) e no Acre.
Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos foi de 6,2% de influenza A, 1,5% de influenza B, 38,9% de vírus sincicial respiratório, 34,9% de rinovírus, e 20,8% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Entre os óbitos, a prevalência foi de 8,5% de influenza A, 3% de influenza B, 3% de vírus sincicial respiratório, 11% de rinovírus, e 68,5% de Sars-CoV-2 (Covid-19).
Situação nacional
Em nível nacional, o cenário atual sugere aumento na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) e de curto prazo (últimas três semanas). No ano epidemiológico 2025, já foram notificados 24.635 casos de SRAG, sendo 9.336 (37,9%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 11.278 (45,8%) negativos, e ao menos 2.359 (9,6%) aguardando resultado laboratorial. Entre os casos positivos do ano corrente, observou-se 6% de influenza A, 2,1% de influenza B, 23,1% de vírus sincicial respiratório, 28,8% de rinovírus, e 36,5% de Sars-CoV-2 (Covid-19).